quarta-feira, 8 de abril de 2015

Reticências...


A nossa amizade virou reticências
Porque já não te reconheço mais
Porque não sei nem mesmo 
Se algum dia te conheci

Reticências porque a qualquer momento
Pode dar o último suspiro
Porque parece sempre se arrastar
Como eu (ou você) em dia de desânimo

Reticências porque não sei se há esperança
Reticências porque cada palavra
Cada mensagem enviada
Pode demorar meses pra ser respondida
Tudo é espera

O que tinhamos era incrível
A despeito de qualquer diferença
Éramos como irmãs
Mas você parece ter escolhido jogar isso fora

Nossa amizade virou reticências
Porque não sei se seu sumiço é desequilíbrio
Se seu sumiço é pedido de socorro
Ou simplesmente indiferença

Eu não estou preparada pra deixar passar
Por mais que sinta que deveria fazê-lo
Não quero crer que você seja apenas mais uma
Apenas mais uma decepção

Mas não me resta mais nada
Uma amizade não vive de lembranças e ausências
Uma amizade pode viver de lembranças 
E breves ou esporádicas presenças
Mas não da sensação constante de ausência e de indiferença

E foi justamente isso que me sobrou
Essa sensação permanente de ausência e de indiferença
Essa sensação de reticências


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